1.Às vezes me deparo com manifestações absurdas de alienação humana. A alienação deve ser combatida, em nome da nossa própria auto-determinação e condução da nossa vida.
2.São situações mais ou menos assim: alguém que se coloca como entendido em algum assunto manifesta-se e, de alguma forma, tal “verdade” tenta impor-se em relação a minha pessoa. São religiosos, pessoas com alto nível intelectual, psicólogos, professores, pessoas mais velhas etc. Estes donos de verdades absolutas são um perigo, por diversas razões:
a.Primeiramente, porque podem estar errados;
b.Depois porque podem ter idéias de manipulação na cabeça e usam seus títulos para conseguir isto;
c.Muitos se esquivam de explicar as razões em detalhes, e até nos fazem calar na medida em que fazem questão de nos transformarem em “burros” se questionarmos demais;
d.Podem utilizar ainda o recurso do sofisma, ou seja, o uso de argumentos com bases falsas para encontrar as afirmações desejadas, ou seja, para enganar ou manipular as pessoas.
e. Resta ainda a possibilidade de estarem certos para o ponto de vista deles, que certamente não é igual ao nosso.
3.Desta forma, nunca deixe de ser livre. Não se deixe jamais levar por outra coisa que não a sua racionalidade, característica que lhe dignifica.
4.Desconfie de todo aquele que não aceita questionamentos sobre a verdade que defende, especialmente daquele que se irrita com isso, ou que tenta lhe dominar utilizando as armas da ironia ou sarcasmo. Tudo isto é jogo de dominação! Mantenha-se livre e independente.
5.Não aceite a autoridade imposta de religiosos, de qualquer nível, ou de pessoas que passam uma imagem de perfeição, pureza ou disciplina. Não se iluda, todos nós, inclusive eles, são seres humanos, portanto com uma estrutura comum, cheia de inseguranças e medos.
6.Lembre-se que até mesmo a ciência, que busca uma verdade por meio da repetição exaustiva, não tem interesse de que uma determinada lei, depois de testada e confirmada mil vezes, seja tida por inquestionável. Na verdade, as leis científicas jamais são estáveis plenamente, pois estão dispostas a terem seus pressupostos questionados, duvidados e testados. Caso se comprove que estão erradas ou incompletas, parabéns à humanidade por mais um passo rumo à verdade. Este princípio deveria ser aplicado nas relações de poder dentro da família e na sociedade em geral.
7.Desconfie de quem nunca diz “eu não sei”. Todos nós não temos certeza de alguma coisa, mas porque gostamos de ser admirados por nossa inteligência, condicionamo-nos a evitar ao máximo reconhecer que não sabemos de algo. Os professores são uma classe em que este problema é típico. Um professor dizendo que não sabe? Não deve ser competente! Não! Não há nada demais nisso. Dizer que não sabe é um estágio anterior ao conhecimento verdadeiro, que pode ser adquirido com a ajuda da experiência acumulada. O pior é inventar algo em resposta ao que não se sabe, muitas vezes aproveitando-se da ignorância de quem pergunta, e com o objetivo de preservação da auto-imagem.
8.Por outro lado, socialmente deveríamos aceitar os corajosos que dizem que não sabem como pessoas autênticas, verdadeiras, capazes de vivenciar uma amizade sincera e saudável.
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