Às vezes penso em dizer tanta coisa
Mas talvez não valha a pena
Ser tão revelador quando é melhor não
Deixa os mistérios vingarem e seguirem
Tá tudo tão assim, como uma brisa fria do ventilador
Bem controlado e previsível
Talvez seja melhor quebrar tudo
Para poder ter uma nova visão do mundo
Ganhos e perdas afligindo o pulso
Querem enganar um olhar já tão acostumado
A ver que depois da farra começa tudo de novo
E a ressaca é apenas um detalhe
Depois da janela de vidro tem uma grama tão fofa
E os cachorros estão correndo feito loucos
Acho melhor eu me concentrar no que estou fazendo
Perdendo todo o tempo da minha vida
Não precisamos botar a culpa no mundo
O nosso papel seria a loucura
E nos recusamos conscientemente a desempenhá-lo a contento
Por isso a resignação enebriante
Mas a autoanálise é bem vinda
Serve para desencrostar as pareces internas da pele
E aliviar um pouco a respiração pesada
Apesar do cheiro da rotina arrodeando o quarto
Mas a consciência ainda está viva
E com a garganta cada vez mais forte
Faz sonhar voando de novo
Ainda vou possuir esta leveza
segunda-feira, 9 de abril de 2012
quarta-feira, 7 de março de 2012
Um dia num país distante
Um dia, num país distante, estabeleceu-se o poder popular: a democracia. Isto significava que a pessoa a ocupar o poder por meio do voto gozaria de legitimidade para escolher os ocupantes dos principais cargos públicos, aqueles que proporcionavam os melhores retornos. Cabia ao povo escolher dentre diversas opções ruins uma delas.
As forças políticas se organizam com antecedência para a grande disputa pelo poder. São apaixonados e profissionais em discursos bonitos em defesa do povo e, especialmente, dos mais pobres e necessitados. Estes, sempre serão os explorados e ludibriados. Serão os justos e desinformados explorados. Serão os desarticulados sem esperança. A única coisa que lhes restará é o céu, após a morte.
Depois do circo democrático concluído, o grupo vencedor fica alvoroçado, ansioso pelos próximos passos: a divisão dos cargos públicos. Aí entrarão os critérios de acessibilidade a estes cargos, ou seja, a força política dentro do grupo vencedor. Uma variável paralela é a imprensa, que deverá estar convenientemente controlada também, pois, de outra forma, poderá gerar problemas. Mas, na maioria dos casos, as indicações passam despercebidas e são aceitas por todos, especialmente pelos que encontram-se mais próximos dos indicados.
No leilão dos cargos públicos, cada posição tem seu valor mensurado em função do orçamento público a ser manipulado, prestígio público, mídia, remuneração inerente ao cargo etc.
No jogo da ocupação dos cargos públicos, o que conta é a variável política. Conhecimento técnico pode até atrapalhar, dependendo do grupo. Se for um grupo que valoriza o conhecimento, tudo bem; mas se for um grupo que se intitula oriundo do povo para, desta forma, justificar sua baixa escolaridade e competência técnica, pode ser que uma formação acadêmica excelente atrapalhe.
Neste país longíquo, podemos, a grosso modo, dividir as pessoas nos seguintes grupos: grupo que participa da política dominante e que aproveita a oportunidade para enriquecer; grupo dos derrotados que esperam uma oportunidade para ocupar o poder e aproveitar-se dele da mesma forma; grupo de sonhadores que acreditam na força da capacitação e qualificação técnica que ocupam posições técnicas na área pública e privada e efetivamente trabalham (coitados); grupo de espertalhões que, paralelamente às instituições públicas, criam instituições que enriquecem aproveitando-se da massa (exemplo clássico: igrejas); grupo dos trabalhadores e seus dependentes, pessoas que efetivamente produzem riqueza para sustentar os demais grupos.
O circo democrático está armado. Não tem jeito. Dele participa a criança pobre e abandonada que chora, o operário "carregador de piano" que dá duro e que é mal remunerado, os técnicos de nível médio e superior com seus cargos e que lutam individualmente por conquistas na carreira profissional e os que ocupam o poder político e, única e exclusivamente em função de estarem associados à agremiação vencedora nas urnas, sentem-se no direito de aproveitarem a onde e sugarem à exaustão da máquina pública recursos e direitos.
Enquanto um está fadigado pelo sol e pelo trabalho, o outro está estressado e até preocupado com o amanhã e um terceiro sorri de tudo isso, enquanto aproveita o momento e planeja suas estratégias de manipulação.
Não gosto de visões pessimistas, mas não sou cego! A estrutura oferece à maioria a ignorância como opção honrosa, pois, desta forma, pode-se acreditar no trabalho e viver sob o jugo de seus próprios valores. Mas quando tudo mostra-se tão claro, a única alternativa é ver.
Sim, o mundo é repleto de sacanagem! Enquanto os tolos trabalham, os espertos lhes tomam toda a riqueza e ainda zombam! Alternativas? Parece que não há. Afinal, qual a alternativa à democracia?
As forças políticas se organizam com antecedência para a grande disputa pelo poder. São apaixonados e profissionais em discursos bonitos em defesa do povo e, especialmente, dos mais pobres e necessitados. Estes, sempre serão os explorados e ludibriados. Serão os justos e desinformados explorados. Serão os desarticulados sem esperança. A única coisa que lhes restará é o céu, após a morte.
Depois do circo democrático concluído, o grupo vencedor fica alvoroçado, ansioso pelos próximos passos: a divisão dos cargos públicos. Aí entrarão os critérios de acessibilidade a estes cargos, ou seja, a força política dentro do grupo vencedor. Uma variável paralela é a imprensa, que deverá estar convenientemente controlada também, pois, de outra forma, poderá gerar problemas. Mas, na maioria dos casos, as indicações passam despercebidas e são aceitas por todos, especialmente pelos que encontram-se mais próximos dos indicados.
No leilão dos cargos públicos, cada posição tem seu valor mensurado em função do orçamento público a ser manipulado, prestígio público, mídia, remuneração inerente ao cargo etc.
No jogo da ocupação dos cargos públicos, o que conta é a variável política. Conhecimento técnico pode até atrapalhar, dependendo do grupo. Se for um grupo que valoriza o conhecimento, tudo bem; mas se for um grupo que se intitula oriundo do povo para, desta forma, justificar sua baixa escolaridade e competência técnica, pode ser que uma formação acadêmica excelente atrapalhe.
Neste país longíquo, podemos, a grosso modo, dividir as pessoas nos seguintes grupos: grupo que participa da política dominante e que aproveita a oportunidade para enriquecer; grupo dos derrotados que esperam uma oportunidade para ocupar o poder e aproveitar-se dele da mesma forma; grupo de sonhadores que acreditam na força da capacitação e qualificação técnica que ocupam posições técnicas na área pública e privada e efetivamente trabalham (coitados); grupo de espertalhões que, paralelamente às instituições públicas, criam instituições que enriquecem aproveitando-se da massa (exemplo clássico: igrejas); grupo dos trabalhadores e seus dependentes, pessoas que efetivamente produzem riqueza para sustentar os demais grupos.
O circo democrático está armado. Não tem jeito. Dele participa a criança pobre e abandonada que chora, o operário "carregador de piano" que dá duro e que é mal remunerado, os técnicos de nível médio e superior com seus cargos e que lutam individualmente por conquistas na carreira profissional e os que ocupam o poder político e, única e exclusivamente em função de estarem associados à agremiação vencedora nas urnas, sentem-se no direito de aproveitarem a onde e sugarem à exaustão da máquina pública recursos e direitos.
Enquanto um está fadigado pelo sol e pelo trabalho, o outro está estressado e até preocupado com o amanhã e um terceiro sorri de tudo isso, enquanto aproveita o momento e planeja suas estratégias de manipulação.
Não gosto de visões pessimistas, mas não sou cego! A estrutura oferece à maioria a ignorância como opção honrosa, pois, desta forma, pode-se acreditar no trabalho e viver sob o jugo de seus próprios valores. Mas quando tudo mostra-se tão claro, a única alternativa é ver.
Sim, o mundo é repleto de sacanagem! Enquanto os tolos trabalham, os espertos lhes tomam toda a riqueza e ainda zombam! Alternativas? Parece que não há. Afinal, qual a alternativa à democracia?
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