1.Uma das perversidades humanas gratuitas, sem nenhuma finalidade boa e sem sentido é o desrespeito à terra natal das pessoas. Talvez esta seja uma maneira apelativa de tentar se impor ou subjugar as pessoas, uma forma covarde de constranger, calar ou intimidar os outros, simplesmente por eles declararem ser de uma cidade, um estado ou um país determinados.
2.Deixa-se de lado a pessoa, o ser humano, repleto de valores, paixões, habilidades, para rotulá-lo em função da sua origem. Não há alternativa, não há chance para a defesa. Você é de lá? Lá é assim? As pessoas de lá fazem assim?
3.A malicia salta como cuspe pela boca, após breves sorrisos de escárnio, na tentativa de desprezar, de humilhar o outro, de torná-lo indefeso. Afinal, como se defender da humilhação de ser julgado preconceituosamente pelo lugar de onde se é?
4.A terra natal normalmente exerce uma influência muito forte nas pessoas. É uma espécie de mãe! Já que daquela terra bebemos a água e nos alimentamos nos nossos primeiros dias de vida. Brincamos lá! E a primeira noção de mundo nos veio por meio dela. É impossível deixar de amá-la, assim como possivelmente amamos nossas mães.
5.As pessoas de bem que rejeitam a violência, afastam-se das pobres de caráter que as desrespeitam, quer diretamente, quer a um familiar que ama, quer a sua terra natal. Se alguém ofende a minha mãe, a quem tanto amo, não reajo porque a vida me tem muito valor e quero desfrutar do que puder para compreender o que está acontecendo aqui! (no mundo em que eu estou inserido). Não desejo, por força do que poderão falar de mim, entrar num círculo de violência verbal ou física que poderá me arrastar por dias e noites de stress e de maus pensamentos de vingança ou de auto-proteção. Continuo amando minha mãe e minha terra natal, que também é minha mãe. Apenas reconheço em tais pessoas a incapacidade de se relacionar com os outros, o preconceito estampado na língua, ou as frustrações que a falta de carinho provocaram naquele indivíduo. Em fim, sua insensibilidade, falta de empatia e de consideração ao semelhante que procura humilhar.
6.O humor muitas vezes também se dá via sacrifício de um pobre coitado, que será exposto, sujeitado ao desejo da maioria de gozar da sua vida, da sua pessoa, do seu passado, da sua família. É o preço de gargalhadas malditas, que de tão malditas, não soam como sorrisos abertos, mas como gargalhadas de vilões e bruxas. Vamos rir de alguém, por causa de sua cor, de seus hábitos, de suas origens. De aspectos que revelam nossa incapacidade e falta de criatividade para brincar sadiamente e sempre estarmos prontos para cativar e fazer com que os outros se sintam bem.
7.Onde isto acontece? Especialmente quando pessoas de origens diferentes se reúnem. Alguns tomam a frente, outros, que escaparam da iniciativa, apóiam torcendo para não serem os próximos. Às vezes as pessoas sabem como reagir, quer por serem excelentes em dar respostas, quer porque já haviam se preparado antes para esta provável provocação. Mas outros, por ansiarem uma liberdade mais profunda, não aceitam até mesmo ter de se preparar para isto. Estes preferem superar (esquecer) estes breves momentos, olhando para frente.
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