Que fique bem claro, a humanidade fracassou em termos de Humanidade. Não só o Brasil, os Estados Unidos ou a China. Praticamente toda a humanidade fracassou, uns países mais que outros, com certeza.
Existem diversos aspectos a serem analisados neste unânime fracasso. Vamos a alguns deles.
O aparthaid social aceito é um deles. Ou seja, a extensão das diferenças sociais toleradas. Este aspecto está relacionado ao que sentimos ao olharmos para o outro, especialmente quando este outro é bastante diferente de nós. Se aceitamos que este outro possa ser um excluído, e até que nível, então inconscientemente toleramos que ele não tenha acesso a direitos. Achamos normal e podemos amaciar nosso remorso com justificativas tipo: ele não se esforçou o suficiente, ou ele fez más escolhas etc. Mas, note que, se a sociedade tem empatia pelos seus concidadãos, não os aceita marginalizados. É desumano!
Outro aspecto é o lixo remunerado. Uma sociedade rica deve remunerar o trabalho efetivo, aquele que gera riqueza a ser compartilhada. Uma mão plantando no campo gera riqueza, um operário da construção civil também, um braço entortando uma barra de ferro na indústria também, um vendedor apresentando seu produto ou serviço também. Entretanto, existem grandes diferenças em termos de remuneração e de efetividade. Estas distorções têm seus efeitos perversos na economia. É claro que o médico deve receber uma remuneração maior que o técnico de enfermagem. Entretanto está informação está incompleta. A principal questão é: o quanto maior? Então, vemos na sociedade pessoas em cargos públicos de remuneração elevada cheios de privilégios, e obviamente ganhando muito por serviços, muitas vezes, de valor duvidoso. São sustentados pela sociedade trabalhadora e seu sucesso é um verdadeiro deboche àqueles que estão à margem de direitos básicos. Deveria-se pesquisar o retorno dos vencimentos pagos pela administração pública. Aí reside um verdadeiro ralo de recursos financeiros, ou seja, uam enorme fonte de desperdício. Todo funcionário público deveria, no mínimo, se pagar, por meio do que entrega à sociedade.
Incrustado na sociedade estão os direitos positivados ou adquiridos. Muitos representam verdadeiras amarras ao Estado, mas não só isso, costumam representar também privilégios concedidos e impossíveis de retirar. Pesos que vão sufocando o Estado até que ele não possa mais fazer quase nada, especialmente pelos excluídos. Não existe almoço grátis! Também não existe benefício grátis. Cada gasto tem suas consequências no todo da economia. Como pode então uma sociedade pobre pagar supersalários? Deveria sim haver um direito distributivo que permitisse reconhecer excessos e corrigi-los. Como ficamos presos no próprio direito que elaboramos, nos enforcamos socialmente.
E a gestão? Sim, porque às vezes temos bons funcionários, boa estrutura mas péssimos gestores. Como podemos identificar tais situações? Muito fácil! Existem hoje diversas ferramentas de mensuração e análise de resultados. Se não dá pra aplicar em tudo, dá pra pelo menos começar! Que tal? Escolhe um hospital, uma escola, uma delegacia etc. Vai chacoalhando isso tudo para que demonstrem que são bons ou que têm como melhorar. A perca de produtividade por ineficiência dos gestores é uma forma de legitimar a desgraça.
Uma sociedade justa de trabalhadores tem tudo para ser uma sociedade rica porque pode distribuir melhor esta riqueza, para que todo ser humano seja considerado em um patamar elevado: o de cidadão!