segunda-feira, 9 de junho de 2008

O livro, a leitura e o novo ambiente da Internet.

Devo confessar: enquanto estudante eu sempre tive muita dificuldade de ler. É claro! de tudo o que consegui evoluir enquanto pessoa, muito devo à leitura, ainda que encarada como um trabalho, uma tarefa, ou até um desafio. Lembro-me que, até os dezesseis anos de idade, ler um livro da literatura brasileira, como “O Cortiço”, por exemplo, era-me muito cansativo. Minha vista ardia, eu contava as páginas que faltavam e ficava com preguiça. Uma vez, li um livro todo só para provar para mim mesmo que era capaz. Hoje, ainda tenho dificuldade com leitura, mas já consigo me disciplinar mais quanto a isto.

Eu acho que o formato do livro ainda é o mais confortável para leitura. É incrível como esta tecnologia ainda não foi suplantada pelo notebook ou outro equipamento. Afinal, o livro não tem bateria, não tem eletricidade, você pode levar para qualquer lugar, para a poltrona da sala ou para uma rede no quarto, a leitura cansa menos se comparada à fixação da vista no monitor, pode conter gravuras e fontes em diferentes formatos. Tudo isto são vantagens que o computador anda não conseguiu vencer totalmente. Afinal, a leitura de um livro no computador se torna incômoda, pois falta a mobilidade e a irradiação que sai do monitor provoca cansaço visual.

Entretanto, a tecnologia não para. Já existem os e-books e equipamentos voltados especificamente para a leitura de livros eletrônicos. Até o barulhinho das páginas passando o equipamento procura imitar. As telas de LCD também são mais adequadas à leitura, mas apresentam problemas quanto à reflexão da luz (dependendo da inclinação do monitor, a visão do texto pode ficar totalmente comprometida, o que não acontece com o livro).

O que poderia substituir a leitura? O áudio? O vídeo? Talvez. Mas temos diversos aspectos a considerar:

a) O material em texto é bem mais apropriado ao armazenamento e tráfego na internet do que áudio e vídeo, cujos arquivos são bem maiores.
b) A leitura exige uma atenção maior do que o áudio e o vídeo, ou seja, ela é ideal para estudar.
c) A leitura cria imagens e simulações mentais que o vídeo praticamente destrói, já que apresenta uma resposta pronta. Desta forma, a leitura incentiva a criatividade, enquanto o vídeo adequa-se mais ao entretenimento.

Entendo que hoje, existe muito mais espaço para os escritores, já que qualquer pessoa pode escrever um livro no computador, pode publicar seu material em blogs, pode até mesmo custear seu primeiro livro. A tendência, então, é uma explosão de conteúdos, o que vai trazer uma maravilhosa e ao mesmo tempo caótica oferta de material para leitura. A maior dificuldade talvez seja encontrar, neste palheiro, a agulha que se está desejando.

A Internet hoje é um caminho natural de pesquisa. Na minha opinião, entretanto, há outras fontes muito boas. Por exemplo, os professores. Eu sempre gostei de obter referências com os especialistas no assunto. Um professor de gramática deve conhecer uma boa para me indicar, já o de literatura deve ter em mente diversos bons livros e assim vai.

Uma outra fonte, esta em decadência, na minha opinião, são as bibliotecas. Algumas organizam seu acervo em sistemas por assunto, autor e título, o que facilita as buscas e as consultas. O ambiente de uma biblioteca é muito estimulante.

A escrita como meio de comunicação está ampliando seus canais. Livro, periódicos, enciclopédias, cartas ainda hoje continuam a existir, mas receberam novos canais virtuais com utilização crescente, quais sejam os e-books, internet, enciclopédias virtuais, e-mail, fórum, chats etc.
Uma vez, assisti a uma palestra de uma arquivista graduada na área. Ela dizia que o papel ainda é a mídia universal de arquivo, pois, se você acha que aquele backup que você gravou em CD estará disponível daqui a 10 anos ou 20 anos, você está enganado, já que, num futuro próximo, não haverá mais leitores de CD, pois a tecnologia não para de evoluir. Ou seja, confiar numa mídia que é padrão de mercado hoje pode não ser a melhor opção se você pretende guardar informações por um período superior a 20 anos. Enquanto isto, o papel suporta muito mais tempo se bem conservado. As palavras dela me serviram para me precaver da evolução dos equipamentos. Afinal, já pensou se você tivesse de resgatar um arquivo gravando naqueles primeiros modelos de disquetes flexíveis? Hoje, eu não saberia onde encontrar um drive de leitura. Por outro lado, sabemos que isto não é problema para a tecnologia, já que as mídias evoluem em degraus, permitindo recuperar os dados de um padrão anterior para o novo. Concluindo, penso que a tecnologia dos computadores interligados em rede são uma realidade sem volta. Portanto, mais cedo ou mais tarde, todo o conhecimento que hoje é guardado nos livros estará também e mais facilmente acessível na rede mundial. Isto, é claro, não significa que os livros vão acabar, mas talvez as bibliotecas, no formato atual, tenha de se modernizar.

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