Já faz algum tempo que eu escrevi este texto, que foi recuperado pelo colega de trabalho Régis. Acho que faz mais de cinco anos, mas ainda está bom, por isto estou postando aqui. Eis o texto:
O homem e sua eterna dúvida. Como ser feliz? O que é ser feliz? Há diversas formas de abordar um assunto tão vasto. Não me admiraria de conhecer uma biblioteca inteira sobre ele. Vou optar, então, por uma visão própria e abrangente do que seja ser feliz.
O homem é um ser dividido entre suas dimensões física e espiritual. É um eterno conflito de interesses. A dimensão física ou material chama o homem para uma vida animal e instintiva; enquanto que a dimensão espiritual chama o homem a, negando sua estrutura corporal, buscar o transcendente, buscar Deus. A felicidade verdadeira está inseparavelmente colada a esta busca, ou seja, ser feliz é viver na dimensão do espírito, construído tesouros no céu, onde as traças não os consomem, nem os ladrões os roubam.
Por outro lado, prendendo-se à dimensão física, o homem afasta-se deste objetivo universal. Acorrentado a seus sentidos, ele se entrega totalmente a seus planos de poder e ter. Goza os prazeres da gula, da carne, do “status”, da sua própria beleza externa. Vive a “felicidade” como a palha seca curte o fogo: curtos momentos que se vão, deixando para trás o vazio de uma existência. E o homem experimenta mais e mais, mas, ao final, cansado, frustrado, vê-se numa estrada sem novas paisagens, sem horizontes de luz. É a busca do que não está acessível nesta vida: a auto-suficiência.
Concluímos, então, que a felicidade não é obtida nos “shoppings centers” da vida, mas na busca do domínio sobre a realidade da dimensão física do homem, o que não significa abster-se de comida, de bens, de sexo, dos prazeres de uma vida sã. Não. Trata-se de, reconhecendo sua dimensão corporal, controlá-la, dominá-la e olhando mais para dentro de si, reconhecendo-se pequeno e imperfeito, colocar-se nos braços do amor maior, da ilimitada misericórdia, do poder sobre tudo, inclusive sobre a morte. É buscar intensamente Deus, Nele mesmo e nas pessoas, a quem passa-se a ver como irmãos.
Mas, eu já ia finalizar estas considerações, quando me vi obrigado a acrescentar poucas mais. Tenho que colocar uma necessidade, infelizmente, a meu ver, indispensável, sem a qual, mesmo com a visão e aplicação do que até aqui comentei, o homem contemporâneo é infeliz. É o bem estar da família em que ele se insere. O poder constituído não protege o homem e as pessoas por ele amadas, mas o joga em meio a uma competição injusta, marginalizando-o. Ele, então, vê-se impossibilitado de alcançar a felicidade, por causa do amor que sente pelas pessoas próximas, vendo-as sofrer. É-me impossível conceber a felicidade, nestes casos, mesmo quando este homem busca viver em sua dimensão espiritual, já que pesa sobre ele o fardo da falta de amor de sua comunidade, de seu país, em fim.
Que bom seria, então, que crescesse a felicidade entre os homens, a ponto de ela ser uma epidemia incurável, uma contaminação social, uma paz universal, uma verdadeira utopia.
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